Raízes

Ontem eu vi “A Walk” [o link vídeo completo tá ali no final], um filme de 1990 do cineasta Jonas Mekas. Em algum momento do filme, ele fala sobre como nunca encontramos nossas raízes em outro lugar a não ser naquele lugar onde nascemos. Jonas é originalmente da Lituânia, e como um refugiado da guerra (se não me engano, ele até ficou preso em campo de concentração), foi morar em Nova York e fez praticamente a vida dele lá. Mas mesmo assim, ainda hoje, aos 95 anos de idade, ele diz que não consegue encontrar suas raízes em NY; apenas na Lituânia é onde ele “existe” verdadeiramente.

Hoje vi um comentário [no Facebook] sobre o que fazer caso aquele-candidato-que-não-falamos-o-nome seja eleito. Muitas respostas incluíam sair do país, numa tentativa de melhorar de vida; as motivações devem ser diversas: melhor qualidade de vida, menos violência, etc. Acho que é interessante sair da sua terra natal, até pra criar perspectiva (conhecer outros pontos de vistas sobre a vida, o mundo e tudo mais), mas isso deveria — deveria — ser feito por vontade própria e não por esse tipo de circunstâncias políticas que estamos enfrentando aqui no Brasil. É muito triste ter que se tornar um exilado à força.

Eu já morei fora um tempo, e uma parte de mim realmente nunca quis deixar essa terra, especialmente Fortaleza. Eu tenho minhas raízes aqui, e pode até ser idealista falar isso, mas não há lugar como a sua própria casa.